O recente caso de vazamento de dados protagonizado pelo Facebook e pela Cambridge Analytica acendeu um alerta em internautas de todo o mundo. Não à toa, diversos países– entre eles o Brasil – têm se preparado para enfrentar esse novo cenário e legislar sobre o uso de dados sob a ótica do direito à privacidade, ampliando o poder de entidades reguladoras para fiscalizar empresas que armazenam e trabalham com dados.

No entanto, você sabe o que significa de fato ter seus dados roubados e quais riscos está correndo nesse caso? Se esse assunto ainda parece um pouco abstrato, fica de olho no post de hoje que nós explicamos tudo!

Riscos Envolvidos

Ao ter informações pessoais vazadas, os usuários ficam vulneráveis e o risco que esse tipo de evento representa passa não só pelo âmbito pessoal, assim como também pelo social e político. Situações como essa podem causar danos individuais e coletivos, seja através de fraudes bancárias ou de publicidade eleitoral dirigida, tal qual o caso da eleição do atual presidente americano Donald Trump.

Dados como nome, contato, gênero, idade, local, religião, educação, trabalho, tipos de aparelhos usados para entrar no Facebook, check-ins e páginas curtidas são mais do que o suficiente para tornar o indivíduo uma potencial vítima em ambos os cenários. Na esfera privada, o ideal é agir com cautela perante ligações, mensagens ou e-mails vindos de pessoas desconhecidas, principalmente quando as propostas e promoções pareçam se encaixar perfeitamente naquilo que você está buscando.

Além dos seus dados poderem ser utilizados para viabilizar o envio de spam, também podem servir de isca para fraudes, ao tentar motivar as vítimas a cederem novas informações, como contas e senhas de banco. Em posse de dados pessoais, é muito mais fácil disparar ligações e e-mails personalizados para cada pessoa, ampliando as chances de um golpe bem sucedido.

Já no campo social e político, através de publicações em rede social, grupos dos quais a pessoa participa e as páginas que ela curtiu, por exemplo, é possível identificar suas tendências políticas e direcionar o conteúdo que terá mais chance de chamar sua atenção.

LGPD e o Que Fazer Para se Proteger

Se seus dados vazaram ou foram roubados de algum banco de dados, infelizmente não há como voltar atrás. O melhor que você pode fazer é trocar suas senhas e ficar alerta para evitar cair em alguma fraude. Contudo, é possível se proteger para não se tornar vítima dessas situações. Uma dica importante é evitar fazer login com suas contas do Facebook ou Google em outros serviços, deixando seus registros de usuário e senha vulneráveis em casos de ataque como esses. O mais prudente é possuir um login diferente para cada site e rede social.

Além disso, agora também podemos contar com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), uma espécie de GDPR brasileira. Sancionada em agosto deste ano pelo presidente Michel Temer, a lei altera o Marco Civil da Internet e estabelece um prazo de 18 meses, que se encerra em fevereiro de 2020, para que as empresas se adaptem a ela, e o não cumprimento da mesma pode ocasionar multas altíssimas de até 50 milhões de reais.

A iniciativa de existir uma lei desse tipo no Brasil nos coloca entre o grupo de países mais preocupados e que buscam medidas práticas para prover proteção à privacidade dos cidadãos. Ainda assim, a exemplo mundial, a perspectiva é de que o período de adaptação das empresas seja de bastante planejamento e algumas dificuldades.

Entre os pontos de destaque da LGPD estão o fato da lei valer para todos os segmentos da economia, possuir aplicação extraterritorial (ou seja, toda empresa que tiver negócios no Brasil deve cumpri-la), exigir o consentimento do usuário para a coleta de informações pessoais e, mais importante, permite que os titulares possam retificar, cancelar ou até solicitar a exclusão dos dados coletados. Além disso, determina também a criação da Autoridade Nacional de Proteção aos Dados (ANPD) e a notificação obrigatória de qualquer incidente.

 

Por fim, é importante frisar que enquanto a LGPD estiver no período de transição, todo cuidado é pouco. Sempre ler as políticas de uso de sites e aplicativos e manter senhas diferentes para cada rede social e página na internet são formas de se proteger e evitar que seus dados caiam em mãos erradas. Outra dica válida é dar atenção ao texto da LGPD e ficar por dentro do seu conteúdo, afinal, para cobrar e usufruir dos seus direitos é necessário primeiro conhecê-los.

BigData Corp

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