Por Thoran Rodrigues, CEO BigData Corp.

O “hype” da Inteligência artificial segue a todo vapor. A cada dia que passa, aparecem mais artigos, matérias, blogs, discussões e conferências sobre como essa tecnologia está avançando e transformando o mundo. Tarefas que até poucos anos atrás eram consideradas impossíveis de serem resolvidas por computadores tem se demonstrado perfeitamente abordáveis pelos mais novos algoritmos de deep learning e outras técnicas. Da tradução automática de textos a carros que dirigem sozinhos, parece que as melhorias de vida que a inteligência artificial é capaz de trazer não tem fim.

Nem todos os avanços, no entanto, são benéficos para a sociedade. Junto com todas as melhorias de qualidade de vida que a i.a. possibilita, estamos vendo também uma série de discussões complexas sobre temas como o lado ético de deixarmos decisões de vida ou morte para algoritmos (no caso dos carros autônomos), ou o risco que a automação de processos manuais traz para a grande massa da população que trabalha em determinadas profissões, das mais simples, como atendentes de call center, até as mais complexas, como a medicina diagnóstica.

Os avanços mais recentes na área de I.A., no entanto, tem trazido à tona um outro tipo de impacto sobre a sociedade, sobre o qual muito pouco foi discutido, que é a massificação do conteúdo falso, gerado por computadores e, para todos os efeitos e propósitos, indistinguível de conteúdo verdadeiro. No último ciclo eleitoral, por exemplo, vieram a tona uma série de preocupações com relação as notícias e conteúdos falsos e seus impactos na opinião e na percepção das pessoas sobre os temas e candidatos. Toda a manipulação e conteúdo gerado, no entanto, foi construído por pessoas, de forma manual, limitando o escopo desse tipo de ação.

Nos últimos meses, porém, estamos vendo o surgimento de sistemas de inteligência artificial capazes de gerar fake news praticamente indistinguíveis de notícias reais. Esses sistemas, que são de código aberto, podem ser utilizados para rapidamente massificar a produção de conteúdo falso suportando qualquer tipo de opinião ou posicionamento, poluindo as conversas e o diálogo público de uma forma que impossibilite qualquer tipo de discussão civilizada, efetivamente eliminando a nossa confiança nas fontes de informação tradicionais, como jornais e sites de notícias.

E as aplicações vão além da política. De sistemas capazes de criar rostos falsos a mecanismos de geração de vídeos falsos que permitem simular praticamente qualquer pessoa falando qualquer coisa, a i.a. hoje está gerando uma situação única na história do mundo moderno, aonde não podemos mais confiar no que estamos assistindo ou lendo. É fácil ver como essa quebra de confiança pode beneficiar maus atores, possibilitando a contestação de veracidade de qualquer gravação, imagem ou vídeo.

Nesse tempo de transformação, precisamos não só de novas formas e tecnologias que nos permitam reconstruir a relação de confiança que temos com os mais diferentes conteúdos, mas também repensar o nosso papel na produção desse conteúdo e na discussão pública sobre o mesmo. Enquanto não nos transformarmos em consumidores mais críticos de conteúdo, e não utilizarmos ferramentas para validar corretamente a origem do conteúdo que está sendo consumido, estaremos sujeitos a manipulação e a erosão da confiança nas instituições públicas e privadas. A função de quem trabalha com dados, nesse escopo, é dupla: agir sempre com ética e com preocupação sobre a forma como nosso trabalho será aplicado na prática, buscando limitar o potencial negativo dele; e desenvolver as ferramentas que permitam a sociedade combater essas mesmas aplicações negativas.

 

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