Não é preciso explicar quanto vale enviar um whatsapp com promoções a uma cliente que passa diariamente em frente à sua loja favorita, bem na hora do almoço, quando ela tem tempo para entrar e dar uma conferida nas novidades. Saber por onde circulam os consumidores, quais são seus trajetos, a que horas estão próximos de determinados estabelecimentos comerciais, e com qual frequência, é um trunfo que permite ações de marketing 100% direcionadas e customizadas, com enorme potencial de resultado positivo.

Este é apenas um exemplo de como os dados de geolocalização podem ser valiosos no mundo do Big Data, onde as pessoas compram de qualquer endereço do planeta, sem limites de fronteiras, sem precisar de um IP fixo, por meio de seus aparelhos móveis e – já começando – até de seus dispositivos inteligentes vestíveis. Hoje já existem infinitos registros sobre hábitos de locomoção e localidades mais frequentadas. São verdadeiros mapas geoespaciais, capazes de mostrar onde as pessoas estão, dia e noite. Tudo captado por simples aplicativos de serviços.

No entanto, assim como acontece com a identificação pessoal, com os números de documentos ou com fatos relacionados a saúde, a localização de uma pessoa também é uma informação de caráter privado, sujeita à regulação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entra em vigor em 2020. E essa é uma preocupação que vem gerando questionamentos em todo o mundo.

Recentemente, em novembro passado, dois senadores dos Estados Unidos cobraram do Facebook explicações sobre os dados de localização coletados por seus aplicativos, afirmando que os usuários têm o direito de poder optar por restringir o compartilhamento dessas informações. “Os dados de localização estão entre as informações pessoais mais sensíveis que um usuário pode compartilhar com uma empresa”, escreveram em uma carta ao CEO Mark Zuckerberg. Eles também deram prazo até 12 de dezembro para que o Facebook responda se coleta informações sobre a localização de um usuário mesmo se os serviços de localização estão desativados, se compartilha essas informações com terceiros e se são monetizadas ou usadas para publicidade.

Ainda nos Estados Unidos, uma batalha judicial está sendo travada entre o poder público da cidade de Los Angeles e a IBM, dona do canal meteorológico The Weather Channel (TWC) – cujo aplicativo tem cerca de 45 milhões de usuários mensais. A IBM divulgou uma tecnologia que prevê o tempo a cada hora, com base em Inteligência Artificial sobre dados de geolocalização. A ação de Los Angeles, sob alegação de que poucas pessoas têm conhecimento de que estão permitindo acesso a seus dados, diz que a empresa coleta “movimentos em mínimos detalhes”, mesmo quando o aplicativo não está em uso.

Porém, se utilizados dentro dos parâmetros legais, os dados geográficos podem gerar ganhos inestimáveis. Muitas decisões são influenciadas por dados geográficos, que otimizam análises e possibilitam detectar padrões e traçar tendências. A partir de informações de localização, por exemplo, uma empresa acompanha a evolução de seus produtos em diferentes praças, podendo refazer estratégias de promoção, estoque ou entregas com mais agilidade e precisão.

Conhecido case do mercado, já em 2017, a Pizza Hut usou anúncios por localização no Facebook para ampliar seu serviço de delivery e obteve um aumento de 21,5% nas vendas. No mesmo ano, ao lançar um novo empreendimento, a construtora Gamaro aplicou 40% da verba de campanha publicitária para os anúncios baseados em geolocalização do Google.

A chave do sucesso é simples, indicam os especialistas: garantir a proteção de pessoas com as quais sua empresa se relaciona, adotando medidas de transparência, sempre perguntando aos usuários se concordam em compartilhar os dados de localização e informando de que forma essas informações serão usadas.

BigData Corp

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