As experiências têm demonstrado que as profissões mais suscetíveis ao impacto da inteligência artificial (IA) são aquelas que envolvem atividades físicas em ambientes previsíveis, como operar máquinas. Atendentes de call center e operadores de equipamentos industriais são elencadas como as mais impactadas nesse sentido. Em breve, motoristas de carros e caminhões engrossarão a lista.

Na prática, já vemos o trabalho de um caixa de banco feito por sistemas on-line ou aplicativos de celulares; assim como a atividade dos vendedores dando lugar a algoritmos capazes de fisgar o cliente, gerenciar o estoque, a logística e fazer até atendimento pós-venda. Recepcionistas e porteiros de edifícios são outras profissões que desaparecem, a cada dia, diante de câmeras acionadas pela nova inteligência tecnológica.

No entanto, estudos recentes mostram que, mais do que essas categorias, o impacto da automação pode atingir muito mais fortemente trabalhos considerados como “de conhecimento”, ou, mesmo de gestão em nível médio. Enquadram-se nesse universo as atividades de coleta e processamento de dados, realizadas de maneira cada vez mais rápida e eficaz por máquinas “treinadas” com inteligência artificial. Podem perder posições, assim, funções ligadas a assistência jurídica, contabilidade e transações de back-office.

Os avanços da IA já são vistos também na engenharia calculista (civil, elétrica, mecânica); na arquitetura (além de fazer plantas, os algoritmos permitem que os arquitetos analisem antes o terreno e as condições climáticas do local); na área de análise financeira, e até na área médica, em que robôs auxiliam em cirurgias.

De acordo com estudos globais, o ranking de profissionais que serão substituídos pelas máquinas inclui, prioritariamente: agente e analista de crédito, corretor de imóveis, atendente em agências de correio, operador de usina nuclear, contador e auditor, técnico de geologia e petróleo e operador de estações de exploração de gás. Entre as profissões com risco “médio” aparecem juízes, economistas, historiadores, programadores, pilotos comerciais e consultores financeiros.

Realidade brasileira

Até 2026, 54% dos empregos formais do Brasil poderão ser ocupados por robôs e programas de computador. A porcentagem representa cerca de 30 milhões de vagas. Os dados são resultado de um estudo feito pelo Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações da Universidade de Brasília (UnB), com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Por meio das informações disponibilizadas pelo governo federal, os pesquisadores consultaram 69 acadêmicos e profissionais especialistas em machine learning. O trabalho, desenvolvido ao longo de 2018, avaliou uma lista de 2.602 profissões brasileiras.

O estudo apontou que, entre as profissões com mais de 99% de chances de serem eliminadas estão a de taquígrafo (99,55%), de torrador de café (99,52%), de cobrador de transporte coletivo (99,52%) e de recepcionista de hotel (99,12%). Abaixo de 99%, aparecem auxiliar de garçom, serrador de madeira, leiloeiro e carpinteiro, entre outras.

Um relatório técnico do Laboratório do Futuro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apontou que os efeitos da automação serão mais sentidos nas áreas mais ricas do país: regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde os setores de indústria e serviços são mais desenvolvidos e espalhados territorialmente. O estudo indicou que cerca de 70% das vagas nessas regiões terão alta probabilidade de serem impactadas pela tecnologia. Norte e Nordeste sentirão menos, uma vez que suas economias são mais dependentes de atividades primárias pouco sujeitas à automação, como turismo, agricultura de subsistência e extração mineral e vegetal.

BigData Corp

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