Nada é mais estratégico para um empresário, na era do Big Data, do que estar preparado para assinar uma deliberação assertiva, sendo capaz de selecionar e avaliar tantas informações disponíveis hoje em dia. Estudos comprovam que a tomada de decisão baseada em dados (em inglês, data-driven), eleva os níveis de precisão das estratégias corporativas. Uma pesquisa com 330 empresas públicas dos Estados Unidos, feita pelo Centro de Negócios Digitais do Massachusetts Institute of Technology (MIT), apontou, já em 2011, que companhias orientadas por dados tinham 6% mais lucro e 4% mais produtividade.

No entanto, para além do “pensamento orientado aos dados”, é preciso lembrar que as decisões humanas sempre levam em conta fatores subjetivos, que muitas vezes valem tanto quanto resultados obtidos por metodologias científicas. Ou seja, nas escolhas, pesam também – e muito – a bagagem de vida e o legado profissional do responsável pela palavra final.

O segredo está em saber ponderar e equilibrar os dois pilares que sustentam a tomada de decisão: o racional (o conjunto de dados) e o emocional (a experiência adquirida). Muitas vezes, o quadro se complica, quando o trabalho realizado pela equipe de ciência de dados contradiz as práticas prévias dos gestores. Em outros momentos, a vivência anterior não só é fundamental, como agrega vantagens sobre os resultados obtidos puramente com base em operações matemáticas.

Em especial em um país como o Brasil, onde a cultura latina valoriza fortemente o conhecimento dos mais velhos, como equacionar as duas variáveis? Quando confiar na intuição e quando aceitar as conclusões que os dados sugerem? As respostas a esse desafio são mais objetivas do que pode parecer à primeira vista. Tudo depende do contexto, em duas conjunturas distintas.

A primeira consiste em um cenário em mudança, com transformações da sociedade e da economia aceleradas, por força de aspectos geopolíticos nacionais ou mundiais, ou mesmo em decorrência de alterações internas na empresa, como sucessão de diretoria, troca de nicho de mercado etc. Nesses momentos de transição e algum risco de imprevisibilidade, alertam os especialistas, as experiências anteriores pouco podem contribuir. O que teve valor em uma condição anterior de mercado pode não funcionar em um novo arranjo. Portanto, é melhor tomar decisões com base em informações concretas e o mais atualizadas possível.

A segunda realidade é quando se precisa analisar um volume muito grande de variáveis. Nesses casos, corre-se o risco da chamada correlação espúria de dados – que significa em uma relação estatística entre duas variáveis, mas sem causa-efeito. Essa relação estatística pode ocorrer por acidente, por pura coincidência ou por causa de uma terceira variável. Aí entram a tarimba e o senso crítico, adquirido ao longo de uma rica trajetória de erros e acertos. Ou seja, a experiência pode, nestes momentos, ajudar a identificar o contraditório, a desconfiar das inconsistências e a orientar os caminhos de menor risco.

Assim, datasets e background são recursos valiosos no dia a dia corporativo. Melhor ainda se puderem ser utilizados de forma integrada e complementar.

BigData Corp

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