Nos artigos anteriores desta série, mostramos o passo a passo para estruturar uma área de ciência de dados. Como começar montando o time com uma equipe afinada; como captar e organizar os dados a partir do conceito de data lake; como fazer os experimentos e testes e, ainda, como reportar os resultados para os stakeholders. Neste último artigo da série, vamos abordar a forma como a empresa deve apresentar e integrar a nova equipe à estrutura já existente, com todo o cuidado para evitar atritos entre as áreas.

Normalmente, há dois grandes desafios nesse sentido: trazer para dentro da empresa novos conceitos que quebram paradigmas e definir o escopo de atuação de cada área da empresa. O primeiro desafio é administrar o impacto da implantação da nova área. É comum que o trabalho de uma equipe de ciência de dados venha abalar questões até então tidas como verdades intocáveis na empresa. Por exemplo, no caso de uma companhia que se desenvolveu, desde sua criação, fornecendo serviços para hospitais. Após a criação da área de análise de dados, a equipe pode concluir que seria mais conveniente atuar no setor de panificação. Essa é uma mudança de caráter conceitual, que implica principalmente o nível da diretoria. Como a empresa sempre atendeu aquele determinado nicho, os profissionais que desenvolveram as estratégias de negócio para esse segmento podem se sentir contrariados e tender a defender suas posições, apesar de os dados mostrarem o contrário.

O outro desafio está relacionado à definição de quem é o profissional responsável – o “dono” – pela área. O conflito, neste caso, pode vir de qualquer setor, dependendo da estrutura de cada empresa. Na maior parte das vezes, esse problema aflora no setor de tecnologia, onde geralmente se acredita que a tecnologia deve coordenar qualquer trabalho que envolva elementos técnicos, assumindo o controle da operação. A disputa pelo controle pode vir também da área de inovação, onde predomina o entendimento de que esse setor deve avaliar e opinar sobre todas as novidades. Mas ainda é possível que venham reações dos setores de business intelligence (BI) e analytics.

Por isso, um dos maiores cuidados que o gestor de uma área de dados deve ter é envolver os outros departamentos da empresa no seu trabalho, de modo a minimizar os atritos e, talvez, até o risco de sofrer reações tão duras que cheguem ao ponto de culminar com a extinção do seu setor. É recomendável que a nova equipe seja preparada para agir com sensibilidade e prudência, evitando gerar enfrentamentos, trabalhando no sentido de conquistar aliados e não inimigos – como muitas vezes se vê acontece.

Ao board da empresa cabe a tarefa de fazer uma introdução da nova equipe de forma harmônica, eliminando ruídos e preparando a receptividade. Ou seja, comunicar a criação da nova área, apresentar a equipe e deixar claro que os profissionais de ciência de dados não vão substituir outros, mas que haverá complementariedade do trabalho. É importante enfatizar que os cientistas de dados vão trabalhar com outros tipos de informação e não serão concorrentes da equipe de BI, por exemplo.

O modelo exato de parceria entre as equipes vai depender da estrutura interna da empresa. Mas, independente do porte ou da natureza da operação, é fundamental entender quais os pontos potenciais de conflito e fazer uma comunicação bem feita, explicando os benefícios que a área de análise de dados vai trazer para todos. E, muito importante, o recado de união tem que vir de cima.

BigData Corp

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