Com a disseminação da Inteligência Artificial (IA), estão surgindo ideias que prometem milagres no dia a dia das pessoas e apontam caminhos disruptivos para os negócios. A indústria de tecnologia e as consultorias especializadas elaboram e divulgam muitas tendências em ferramentas, processos e gestão. Mas é preciso tomar cuidado com esses anúncios. Não raro, por conta do exagero na conceituação ou na promoção, quando as coisas começam a acontecer na vida real as expectativas precisam ser revistas e as promessas acabam esquecidas.

Esse fenômeno é conhecido como hype, termo utilizado por estrategistas de marketing para a supervalorização de uma pessoa ou um produto ou campanha. Aplica-se tanto ao mercado de consumo (B2C) quanto ao setor corporativo (B2B). Para as pessoas físicas, o hype pode trazer frustração; para as empresas, pode gerar decisões equivocadas, com investimentos sem retorno. No campo da tecnologia, a vulnerabilidade ao hype é muito grande, uma vez que a maior parte dos usuários e gestores não tem conhecimento técnico necessário para avaliar a pertinência de determinado produto ou conceito que lhe é oferecido.

Em 2013, alguns consumidores chegaram a pagar US$ 1,5 mil por um Google Glass, protótipo de óculos inteligentes, que vinha com uma pequena tela acoplada à lente direita, de modo que o usuário pudesse navegar nas redes sociais ou acessar o GPS enquanto dirigia, sem usar as mãos. Dois anos depois, as vendas foram interrompidas, pela falta de sucesso. O Glass foi reinventado e, em maio de 2019, a empresa lançou o Google Glass Enterprise Edition 2, com o Android como sistema base, voltado para funcionários de fábricas, arquitetos e outros profissionais, que se aproveitam principalmente das funções de Realidade Aumentada.

Durante a CES, feira de eletrônicos de consumo realizada em janeiro de 2020, em Las Vegas, nos Estados Unidos, o Google disse que seu assistente virtual é usado por mais de 500 milhões de pessoas por mês, em mais de 90 países. Já o Echo da Amazon, que funciona com a Alexa, dominou, no ano passado, o mercado global de alto-falantes inteligentes, com cerca de 25% de participação, à frente do Baidu e do Google, de acordo com a empresa de pesquisa Canalys. Apesar do otimismo das empresas com seus assistentes virtuais, estudos mostram que as pessoas usam a Alexa e o Google Assistant principalmente para tarefas básicas, como tocar música e verificar o tempo. Anúncios na feira, como carros, TVs e maçanetas conectados à internet, e um companheiro robô capaz de analisar seu ambiente, reagindo às suas ações em tempo real, por enquanto, não passam de projetos.

Também foi um hype a promessa de cura do câncer pela IBM, em 2011, com o lançamento do Watson, plataforma de IA que está por trás de soluções de clientes como Bradesco (BIA) e da Volkswagen. A empresa de mídia STATS, que tem como foco encontrar e contar histórias convincentes sobre saúde, medicina e descoberta científica, publicou um artigo relatando que o Watson não estava nem perto de cumprir as promessas. Após a publicação, A IBM começou a mudar o discurso.

Portanto, é importante ter clareza de que a tecnologia é fascinante, mas não milagrosa. A imaginação tem asas. E alça voo em velocidade mais acelerada do que as condições técnicas de executar os projetos.

BigData Corp

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